Hoje de manhã fui ao supermercado fazer umas comprinhas e acabei tendo que intervir para evitar um ato de injustiça.
Estava sendo atendido no balcão do açougue, quando estaciona ao meu lado um sujeito que aparentava ter mais de 60 anos. De aparência simpática e bonachona, impressão inicial desfeita rapidamente, quando ele fez o seguinte comentário:
- Ué, Lula faliu?
Não entendi, mas fiquei curioso. Minha curiosidade não durou muito, pois logo em seguida o ex-simpático emendou:
- Só pode ter falido, pois não estou vendo nenhuma carne do Friboi por aqui!
E se virando para mim, emendou:
- Você sabe que o Lula é o dono do Friboi, né?
Embora já estivesse a fim de partir pra cima do provocador, achei melhor não iniciar um debate àquela hora da manhã, ainda mais sabendo que o nível da conversa alcançaria o rés do chão, tamanha eram as bobagens que o tal sujeito falava. Fiz de conta que não ouvi a abordagem, embora ele estivessem ao meu lado direito, onde fica meu ouvido bom.
Ele seguiu com provocações direcionadas aleatoriamente, de certo esperando que alguém se somasse ao seu esforço para atacar Lula e Dilma e, quem sabe, talvez desejando que algum petista ou governista, como eu, mordesse a isca e partisse para o confronto (de ideias, é claro).
Logo se posicionou ao meu lado esquerdo uma senhora beirando seus 70 anos, com a senha na mão, aguardando chegar sua vez.
Junto ao provocador também se encostaram mais uns dois caras que aparentavam a mesma faixa etária, aguardando pelo atendimento e que logo vieram somar forças com o sessentão parlapatão.
Para entenderem melhor esta narrativa, preciso explicar que o açougue do supermercado onde se passou o fato, faz atendimento diferenciado para a terceira idade, distribuindo dois tipos de senha. Eu, como ainda não cheguei lá, embora esteja margeando, peguei a senha de número 343. Quando terminei de ser atendido, o açougueiro apertou o botão da senha seguinte, 344, e após poucos segundos, como ninguém se manifestou, chamou a senha seguinte, a de número 345. Foi quando a senhorinha que estava ao meu lado despertou de sua pequena abstração e falou:
- É a minha vez, meu número é o 344.
Por desconhecimento ou distração, ela havia retirado a senha comum e não a da terceira idade. Mas isso não lhe retirava o direito de ser atendida logo depois de mim, que usei a senha 343.
O tal provocador cometeu o mesmo engano da anciã e, adivinhem, era o portador da senha 345. Ouvi, sem nenhuma surpresa, o crápula esbravejar para o açougueiro que já iria começar a atender a senhorinha:
- Espera aí, é a minha vez, se ela não viu quando foi chamada, não é problema meu!
A senhorinha, coitada, se intimidou e ficou sem reação.
Aquilo me indignou, minha paciência com o "coxão" minguou e tive que intervir.
- Espera aí, o senhor! a senha desta senhora é a de número 344 e a sua 345, a vez dela tem que ser respeitada.
Mas o cara de pau não se deu por vencido e ainda tentou consumar a injustiça que estava tentando praticar:
- A vez é minha, além dela ter cochilado eu sou da terceira idade!
Aí o caldo entornou.
- Como assim? Se o senhor é da terceira idade, esta senhora poderia ser da quarta, pois é óbvio que é bem mais idosa do que o senhor. Digo que o açougueiro vai atende-la e se o senhor insistir, vamos chamar o gerente, pois não vou permitir que esta injustiça seja praticada.
O açougueiro, que até então estava sem saber o que fazer, se sentiu seguro e comunicou que iria atender primeiro a senhorinha.
Mas minha maior surpresa ainda estava por vir. Pude presenciar o desfecho, pois estava bem próximo, no balcão de frios, atento ao desenrolar da situação no açougue, pronto para intervir novamente em defesa da mulher, se fosse preciso.
Enquanto a anciã era atendida, os "coxões" continuaram a meter o pau no Lula e na Dilma, agora mais ensandecidos ainda, talvez já percebendo que eu era apoiador do atual governo.
Foi quando, após ser atendida, a senhorinha disparou pra cima dos "coxões", a queima roupa:
- seus mal educados e mentirosos, podem falar o que quiserem, mas Dilma vai ganhar novamente, seus ingratos!
Mais não disse, saiu de cabeça erguida e ao passar por mim deu uma piscadela cúmplice, que tudo disse, sem nada termos dito diretamente um ao outro. E tive a certeza de que ela sabia que estávamos do mesmo lado, mesmo sem que eu, ao longo de todo o episódio, tivesse feito qualquer comentário em relação aos ataques dos "coxões" ao governo Dilma e ao Lula.
Meu sábado começou muito bem.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
A quem interessa uma lei antiterror no Brasil?
Não, não há com justificar o ato que causou a morte de Santiago, cinegrafista da rede Bandeirantes.
Podemos buscar explicações, contextualizações, dizer que violência gera violência, que a polícia é violenta por formação e usa de força excessiva durante as manifestações, que os Black Bloc cobrem o rosto por medo de represália das forças de segurança na calada da noite e nos confins da periferia, etc, etc, mas tentar justificar o ato que levou à morte um trabalhador que estava apenas cumprindo sua obrigação, não vale nem tentar.
Muito menos dá para aceitar essa maluquice de aprovar um "lei anti terror" no Congresso Nacional. Mais inaceitável e surpreendente é ver parlamentares do PT apoiando essa ideia, que nada mais é do que uma tentativa de criar um arcabouço legal que objetiva única e exclusivamente inibir as manifestações populares, a legítima mobilização popular, que só ela será capaz de forçar as mudanças que o Brasil tanto precisa, dentre elas a Reforma Política (com financiamento público de campanhas eleitorais); a democratização dos meios de comunicação com proibição de monopólios e outras exigências constitucionais inscritas nos artigos 5º. 21º. 220º, 221º, 222º e 223º da nossa Carta Magna e a reforma tributária com cobrança progressiva de impostos e tributação das grandes fortunas, conforme determina o artigo 153, inciso VII da Constituição Federal, mas que precisa de uma Lei Complementar, que nunca foi apreciada no Congresso, embora exista Projeto de Lei mofando por lá.
Ah! mas se vamos falar de terror, temos que começar falando do terror que é causado pelas nossas polícias. Me refiro às instituições de segurança, não aos indivíduos que as compõem, como um todo (sou pai de três filhos que fazem parte de instituição militar, da polícia civil e judiciária estadual). Sim por que em nossas instituições policiais ainda predomina a doutrina da segurança nacional da época da ditadura, que tinha o povo como seu maior inimigo, o chamado "inimigo interno".
São estes "inimigos" que as elites conservadoras querem calar e para isso se utilizam de todos os meios e dissimulações possíveis, como agora, com a trágica morte de Santiago, quando - menos consternados e mais oportunistas - tentam criar comoção nacional contra as legítimas mobilizações populares, tentando calar a voz do povo, o poder popular, o único capaz de fazer o Brasil avançar e se transformar em uma Nação próspera, desenvolvida, livre, amante da paz entre os povos e verdadeiramente democrática, na qual o povo não se sinta apenas representado, mas que seja ele o verdadeiro protagonista de seu destino.
Mas isso as elites não querem, nunca quiseram e vão às últimas consequências para evitar estes avanços, pois tal situação comprometeria seus seculares privilégios, o monopólio das riquezas nacionais e das instituições brasileiras. E este temor é tão alucinante que é capaz de levar um jornal a emitir opinião como esta do link. Leiam e vejam se não parece algo vindo do alvorecer da década de 60 do século passado?
http://oglobo.globo.com/opiniao/os-inimigos-da-democracia-11575241
Podemos buscar explicações, contextualizações, dizer que violência gera violência, que a polícia é violenta por formação e usa de força excessiva durante as manifestações, que os Black Bloc cobrem o rosto por medo de represália das forças de segurança na calada da noite e nos confins da periferia, etc, etc, mas tentar justificar o ato que levou à morte um trabalhador que estava apenas cumprindo sua obrigação, não vale nem tentar.
Muito menos dá para aceitar essa maluquice de aprovar um "lei anti terror" no Congresso Nacional. Mais inaceitável e surpreendente é ver parlamentares do PT apoiando essa ideia, que nada mais é do que uma tentativa de criar um arcabouço legal que objetiva única e exclusivamente inibir as manifestações populares, a legítima mobilização popular, que só ela será capaz de forçar as mudanças que o Brasil tanto precisa, dentre elas a Reforma Política (com financiamento público de campanhas eleitorais); a democratização dos meios de comunicação com proibição de monopólios e outras exigências constitucionais inscritas nos artigos 5º. 21º. 220º, 221º, 222º e 223º da nossa Carta Magna e a reforma tributária com cobrança progressiva de impostos e tributação das grandes fortunas, conforme determina o artigo 153, inciso VII da Constituição Federal, mas que precisa de uma Lei Complementar, que nunca foi apreciada no Congresso, embora exista Projeto de Lei mofando por lá.
Ah! mas se vamos falar de terror, temos que começar falando do terror que é causado pelas nossas polícias. Me refiro às instituições de segurança, não aos indivíduos que as compõem, como um todo (sou pai de três filhos que fazem parte de instituição militar, da polícia civil e judiciária estadual). Sim por que em nossas instituições policiais ainda predomina a doutrina da segurança nacional da época da ditadura, que tinha o povo como seu maior inimigo, o chamado "inimigo interno".
São estes "inimigos" que as elites conservadoras querem calar e para isso se utilizam de todos os meios e dissimulações possíveis, como agora, com a trágica morte de Santiago, quando - menos consternados e mais oportunistas - tentam criar comoção nacional contra as legítimas mobilizações populares, tentando calar a voz do povo, o poder popular, o único capaz de fazer o Brasil avançar e se transformar em uma Nação próspera, desenvolvida, livre, amante da paz entre os povos e verdadeiramente democrática, na qual o povo não se sinta apenas representado, mas que seja ele o verdadeiro protagonista de seu destino.
Mas isso as elites não querem, nunca quiseram e vão às últimas consequências para evitar estes avanços, pois tal situação comprometeria seus seculares privilégios, o monopólio das riquezas nacionais e das instituições brasileiras. E este temor é tão alucinante que é capaz de levar um jornal a emitir opinião como esta do link. Leiam e vejam se não parece algo vindo do alvorecer da década de 60 do século passado?
http://oglobo.globo.com/opiniao/os-inimigos-da-democracia-11575241
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