Não, não há com justificar o ato que causou a morte de Santiago, cinegrafista da rede Bandeirantes.
Podemos buscar explicações, contextualizações, dizer que violência gera violência, que a polícia é violenta por formação e usa de força excessiva durante as manifestações, que os Black Bloc cobrem o rosto por medo de represália das forças de segurança na calada da noite e nos confins da periferia, etc, etc, mas tentar justificar o ato que levou à morte um trabalhador que estava apenas cumprindo sua obrigação, não vale nem tentar.
Muito menos dá para aceitar essa maluquice de aprovar um "lei anti terror" no Congresso Nacional. Mais inaceitável e surpreendente é ver parlamentares do PT apoiando essa ideia, que nada mais é do que uma tentativa de criar um arcabouço legal que objetiva única e exclusivamente inibir as manifestações populares, a legítima mobilização popular, que só ela será capaz de forçar as mudanças que o Brasil tanto precisa, dentre elas a Reforma Política (com financiamento público de campanhas eleitorais); a democratização dos meios de comunicação com proibição de monopólios e outras exigências constitucionais inscritas nos artigos 5º. 21º. 220º, 221º, 222º e 223º da nossa Carta Magna e a reforma tributária com cobrança progressiva de impostos e tributação das grandes fortunas, conforme determina o artigo 153, inciso VII da Constituição Federal, mas que precisa de uma Lei Complementar, que nunca foi apreciada no Congresso, embora exista Projeto de Lei mofando por lá.
Ah! mas se vamos falar de terror, temos que começar falando do terror que é causado pelas nossas polícias. Me refiro às instituições de segurança, não aos indivíduos que as compõem, como um todo (sou pai de três filhos que fazem parte de instituição militar, da polícia civil e judiciária estadual). Sim por que em nossas instituições policiais ainda predomina a doutrina da segurança nacional da época da ditadura, que tinha o povo como seu maior inimigo, o chamado "inimigo interno".
São estes "inimigos" que as elites conservadoras querem calar e para isso se utilizam de todos os meios e dissimulações possíveis, como agora, com a trágica morte de Santiago, quando - menos consternados e mais oportunistas - tentam criar comoção nacional contra as legítimas mobilizações populares, tentando calar a voz do povo, o poder popular, o único capaz de fazer o Brasil avançar e se transformar em uma Nação próspera, desenvolvida, livre, amante da paz entre os povos e verdadeiramente democrática, na qual o povo não se sinta apenas representado, mas que seja ele o verdadeiro protagonista de seu destino.
Mas isso as elites não querem, nunca quiseram e vão às últimas consequências para evitar estes avanços, pois tal situação comprometeria seus seculares privilégios, o monopólio das riquezas nacionais e das instituições brasileiras. E este temor é tão alucinante que é capaz de levar um jornal a emitir opinião como esta do link. Leiam e vejam se não parece algo vindo do alvorecer da década de 60 do século passado?
http://oglobo.globo.com/opiniao/os-inimigos-da-democracia-11575241
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