A corrupção já foi muito maior
A oposição e grandes veículos de comunicação surfam as ondas das denúncias de corrupção, na tentativa de ganhar o campeonato nacional de opinião pública, distorcendo, partidarizando e até mentido sobre aquilo que vendem como notícia, como informação, buscando desqualificar o governo recém reeleito e sua base aliada. Fazem isso imaginando um povo imbecil, mal informado, incapaz de fazer seu próprio julgamento. Um povo que gostariam de manobrar, de capturar com sua narrativa sórdida, para legitimar seus preceitos, seu receituário econômico gerador de arrocho salarial, de desemprego, de mais desigualdade social. Um povo que gostariam de ter ao seu lado, em seu desejo mal disfarçado de privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outras estatais que construímos com tanto trabalho e orgulho. Tentam rimar corrupção com estatal, com o governo, com Dilma, com o PT, com o PCdoB, com a base aliada, como se esse mal que viceja na direção de todos os pontos cardeais, nos dois hemisférios, fosse uma invenção de agora, inaugurada por Lula e Dilma e que ocorresse exclusivamente no setor público.
Ora - com a devida licença de Mino Carta -, até o prédio inacabado e abandonado que vejo de minha janela, sabe que isso não é verdade! Não, não é verdade que desvios gigantescos de dinheiro público começaram agora; também não é verdade que a corrupção no setor público se avolumou a partir de 2003 e, mas mais do que isso, a corrupção também está presente no setor privado de forma sistêmica.
Quem está acompanhando o desenrolar do caso Petrobrás e quer se informar melhor, recomendo a leitura do texto escrito pelo tucano e empresário Ricardo Semler, publicado na Folha de São Paulo, sob o título: Nunca se roubou tão pouco. Nele, o empresário corajosamente fala que "nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobrás nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito". Mais adiante Semler diz que "os percentuais (de propina), caíram. Foi só isso que mudou". E continuando seu corajoso texto, quase um desabafo, ele escreve que "a coisa não para na Petrobrás. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas". Essa afirmação me faz lembrar da famosa e famigerada lista de Furnas (denunciada como fraude, mas atestada como autêntica); do cartel dos trens de São Paulo e muitos outros escândalos de corrupção graúda que supostamente envolvem tucanos, mas que a vergonhosa cobertura seletiva de alguns dos grandes meios de comunicação preferem omitir, quando muito dar uma notinha de rodapé em uma pagina esquecida de um veículo impresso, ou mencionar timidamente em um jornal de rádio ou TV.
Ricardo Semler também afirma no texto que "o que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais, sem antes dar propina para o diretor de compras". Fosse alguém com algum vínculo com o atual governo ou com sua base aliada, tais ditos seriam prontamente desqualificados, execrados, mesmo. Mas o autor do texto é filiado ao PSDB e teve sua ficha abonada por Franco Montoro, Mario Covas, José Serra e FHC. Não é pouca coisa. Tem autoridade e idoneidade para escrever o que escreveu.
E arremato dizendo que combinar licitações como fizeram, de acordo com as acusações, grandes empreiteiras na Petrobrás, não deve ser nenhuma novidade e não deve ocorrer apenas em estatais federais. Tudo indica que essa é uma prática que permeia por todo o setor público, na administração direta e indireta de todos os níveis da federação. Se passar o pente fino, muito provavelmente descobriremos que licitações municipais e estaduais também são administradas de fora pelos carteis locais, regionais e até nacionais, dependendo do tamanho do negócio.
E, para além disso, desconfio, por exemplo, que o valor do metro quadrado dos apartamentos novos poderia ser mais barato, se houvesse maior controle sobre o setor comercial das construtoras.
Até as organizações Globo, às voltas com a diminuição de sua audiência e perda de eleitores, deveria dar mais atenção ao seu setor comercial, suponho.
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