Nos históricos dias que estamos vivendo, quando democratas travam uma batalha de “vida ou morte” contra fascistas e entreguistas que abraçaram a causa da intentona golpista, fica mais evidente uma tendência pequeno-burguesa no meio da esquerda, e até mesmo entre os comunistas, que é a atração fatal por acumular inimigos, como aqueles acumuladores de objetos imprestáveis que acabam quase soterrando o colecionador maluco.
E essa atração atinge seu maior grau quanto mais acirrada se torna a luta, quanto mais precisamos de aliados ou de neutralizados.
Por ouvir dizer ou deduzir que alguém apoia o golpe, pronto! Virou um inimigo a ser combatido e “abatido”. Mais um ou mais uma que - assim, assim - , uma vez “desmascarado”, é colocado do lado de lá, do lado dos golpistas.
Se for um dirigente classista, um parlamentar, um governador ou um prefeito, irá merecer até comemoração e longas e gloriosas narrativas de como o cão-tinhoso foi descoberto e deportado para o campo inimigo. Maquiavel, Sun Tzu e Lenin devem estar se revirando no túmulo.
Felizes e faceiros por terem conseguido desmascarar mais um inimigo do povo e da democracia, os acumuladores de inimigos seguem em sua busca incessante por mais e mais soldados adversários, como se fossem poucos os que já temos que combater.
Esse comportamento é altamente prejudicial à nossa luta para alcançar novo salto civilizacional para o Brasil e, o que é pior, beira a uma sabotagem involuntária à luta que travamos em defesa da democracia e contra o golpe.
Não precisamos e não devemos escolher inimigos. Fiquemos tranquilos quanto a isso, pois o campo do adversário está infestado de fascistas e golpistas.
Se almejamos a vitória, devemos, com paciência e cuidado, analisar a situação concreta e a partir daí construir nossas táticas.
Se queremos um movimento verdadeiramente de massas nesse campo de batalha, devemos querer do nosso lado todos aqueles e aquelas que defendem a democracia e o Estado Democrático de Direito, mesmo que sejam nossos adversários em outros campos e momentos, mesmo que sejam conservadores, mesmo que não gostem da presidenta, mesmo que abominem a esquerda, os socialistas e o socialismo.
Mas até em relação àqueles que temos certeza que já aderiram ao golpe, nos cabe usar nossa capacidade dialética, nossa capacidade de convencimento, para tentar fazer com que mudem de opinião ou, pelo menos, fiquem neutros. Remota são as chances, sabemos, mas não podemos deixar de tentar, principalmente quando o alvo detém algum tipo de poder que possa contribuir para resultado adverso, como é o caso daqueles deputados e deputadas que compõem a Comissão do Impeachment e já se declararam favorável ao afastamento da presidenta.
Mais cuidado ainda devemos tomar quanto aos que ainda não temos certeza absoluta de sua posição. Ouvir dizer, deduzir, supor, não devem ser justificativas suficientes para empurramos ninguém para o lado de lá. Ao contrário, devemos dar prioridade a procurar aqueles e aquelas que supostamente ainda se encontram indefinidos, para tentar traze-los para nosso lado, ou até mesmo neutraliza-los.
Por fim, devemos cuidar para não trazer divergências setoriais para o ceio dessa grande batalha que travamos contra o golpe. Não nos esqueçamos de que o desfecho da grande batalha que travamos poderá valer por décadas.
Acumular inimigos pode até satisfazer o esquerdismo que insiste em não abandonar muitos de nós, mas em nada ajudará nossa luta. Pelo contrário, servirá mais aos propósitos da causa dos fascistas e golpistas.
terça-feira, 5 de abril de 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
De volta a um passado tenebroso
O PMDB de Temer e Eduardo Cunha tem um programa para o Brasil que se chama "Uma Ponte para o Futuro".
Mas se você se der ao trabalho de ler esse ícone do neoliberalismo e do entreguismo, verá que o nome mais adequado seria "De Volta a um Passado Tenebroso".
Destaco três pequenos trechos para ilustrar o que afirmo:
"O salário mínimo não é um indexador de rendas, mas um instrumento próprio do mercado de trabalho. Os benefícios previdenciários dependem das finanças públicas e não devem ter ganhos reais atrelados ao crescimento do PIB, apenas a proteção do seu poder de compra."
Comento: Em um hipotético governo Temer, o salário mínimo deixaria de ter aumento real e, consequentemente, o mesmo aconteceria com a aposentadoria.
"...executar uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, por meio de transferências de ativos que se fizerem necessárias, concessões amplas em todas as áreas de logística e infraestrutura, parcerias para complementar a oferta de serviços públicos e retorno a regime anterior de concessões na área de petróleo, dando-se a Petrobras o direito de preferência;"
Comento: Uma vez à frente do governo federal, o PMDB de Temer e Eduardo Cunha retomaria a era das privatizações, entregando o patrimônio dos brasileiros a setores privados nacionais e internacionais. Na mira dessa arma letal estão a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Petrobrás, com o pré-sal e tudo.
"Nos últimos anos é possível dizer que o Governo Federal cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos...."
Comento: O PMDB de Temer e Eduardo Cunha expõe de maneira explicita e irreparável que se chegar à presidência da república irá acabar ou deformar programas como o Bolsa Família, o Prouni, o Pronatec, Minha Casa Minha Vida e outros.
O programa do PMDB de Temer e de Eduardo Cunha não deixa dúvidas de que o que está em jogo é se as riquezas do Brasil servirão aos brasileiros e brasileiras, ou se serão entregues para usufruto exclusivo da parcela da elite econômica antinacional associada ao grande capital internacional, sedentos de nosso petróleo, nossos minérios, nossas terras, nossas águas, nossa pátria.
A cantilena do combate a corrupção é apenas uma cortina de fumaça a esconder os verdadeiros motivos da intentona golpista e a servir de motivação para mobilizar milhares de brasileiras e brasileiros incautos, que ainda não sabem, mas podem estar caminhando para um abismo, como os lêmingues, caso o golpe não seja barrado.
Destaco três pequenos trechos para ilustrar o que afirmo:
"O salário mínimo não é um indexador de rendas, mas um instrumento próprio do mercado de trabalho. Os benefícios previdenciários dependem das finanças públicas e não devem ter ganhos reais atrelados ao crescimento do PIB, apenas a proteção do seu poder de compra."
Comento: Em um hipotético governo Temer, o salário mínimo deixaria de ter aumento real e, consequentemente, o mesmo aconteceria com a aposentadoria.
"...executar uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, por meio de transferências de ativos que se fizerem necessárias, concessões amplas em todas as áreas de logística e infraestrutura, parcerias para complementar a oferta de serviços públicos e retorno a regime anterior de concessões na área de petróleo, dando-se a Petrobras o direito de preferência;"
Comento: Uma vez à frente do governo federal, o PMDB de Temer e Eduardo Cunha retomaria a era das privatizações, entregando o patrimônio dos brasileiros a setores privados nacionais e internacionais. Na mira dessa arma letal estão a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Petrobrás, com o pré-sal e tudo.
"Nos últimos anos é possível dizer que o Governo Federal cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos...."
Comento: O PMDB de Temer e Eduardo Cunha expõe de maneira explicita e irreparável que se chegar à presidência da república irá acabar ou deformar programas como o Bolsa Família, o Prouni, o Pronatec, Minha Casa Minha Vida e outros.
O programa do PMDB de Temer e de Eduardo Cunha não deixa dúvidas de que o que está em jogo é se as riquezas do Brasil servirão aos brasileiros e brasileiras, ou se serão entregues para usufruto exclusivo da parcela da elite econômica antinacional associada ao grande capital internacional, sedentos de nosso petróleo, nossos minérios, nossas terras, nossas águas, nossa pátria.
A cantilena do combate a corrupção é apenas uma cortina de fumaça a esconder os verdadeiros motivos da intentona golpista e a servir de motivação para mobilizar milhares de brasileiras e brasileiros incautos, que ainda não sabem, mas podem estar caminhando para um abismo, como os lêmingues, caso o golpe não seja barrado.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Veríssimo: o fenômeno do ‘espírito golpista dos ricos contra os pobres’
De Veríssimo,
no globo:
Um fenômeno
novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos
contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no
governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. Economistas liberais
recomeçaram a pregar abertura comercial absoluta e a dizer que os empresários
brasileiros são incompetentes e superprotegidos, quando a verdade é que têm uma
desvantagem competitiva enorme. O país precisa de um novo pacto, reunindo
empresários, trabalhadores e setores da baixa classe média, contra os
rentistas, o setor financeiro e interesses estrangeiros. Surgiu um fenômeno
nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um
partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio. Decorre do fato
de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de
esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. Continuou defendendo os
pobres contra os ricos. O governo revelou uma preferência forte e clara pelos
trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas. Nos dois
últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos
trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. Dilma chamou o Joaquim
Levy por uma questão de sobrevivência. Ela tinha perdido o apoio na sociedade,
formada por quem tem o poder. A divisão que ocorreu nos dois últimos anos foi
violenta. Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso
e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. E de repente,
voltávamos ao udenismo e ao golpismo.
Nada do que
está escrito no parágrafo anterior foi dito por um petista renitente ou por um
radical de esquerda. São trechos de uma entrevista dada à “Folha de São Paulo”
pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que, a não ser que tenha levado
uma vida secreta todos estes anos, não é exatamente um carbonário. Para quem
não se lembra, Bresser Pereira foi ministro do Sarney e do Fernando Henrique. A
entrevista à “Folha” foi dada por ocasião do lançamento do seu novo livro “A
construção politica do Brasil” e suas opiniões, mesmo partindo de um tucano,
não chegam a surpreender: ele foi sempre um desenvolvimentista nacionalista
neokeynesiano. Mas confesso que até eu, que, como o Antônio Prata, sou meio
intelectual, meio de esquerda, me senti, lendo o que ele disse sobre a luta de
classes mal abafada que se trava no Brasil e o ódio ao PT que impele o
golpismo, um pouco como se visse meu avô dançando seminu no meio do salão — um
misto de choque (“Olha o velhinho!”) e de terna admiração. Às vezes, as melhores
definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos
se espera.
Outro trecho
da entrevista: “Os brasileiros se revelam incapazes de formular uma visão de
desenvolvimento crítica do imperialismo, crítica do processo de entrega de boa
parte do nosso excedente a estrangeiros. Tudo vai para o consumo. É o paraíso
da não nação.”
domingo, 29 de março de 2015
Corrupção. Vamos lavar a jato, mas vamos lavar a frota toda.
Sim, não há cidadão ou cidadã de bem que não queira um combate rigoroso à corrupção e que os corruptos e corruptores sejam punidos. Mas muitos que clamam contra esse mal endêmico da humanidade, muitas vezes são levados a crer que a corrupção nunca foi tão presente e tão grande como agora, durante os governos Lula e Dilma, e acabam por culpá-los e ao PT, maior partido da coalizão governista, por essa "avalanche" de casos que estão sendo descobertos e investigados.
Mas serem "levados a crer" nessa falsa realidade está longe de ser uma conseqüência natural por conta da divulgação dos casos descobertos de 2003 em diante. É muito mais por uma estratégia da oposição, aplicada com zelo e requinte pelos tradicionais meios de comunicação que se expressam não como órgãos informativos, mas como verdadeiros porta vozes da oposição partidária e não partidária. Quando digo "não partidária", refiro-me aos setores conservadores e fascistas da sociedade, que nem sempre se alinham a algum partido de oposição, mas querem apenas a derrota do projeto democrático e popular iniciado em 2003, com a primeira vitória de Lula, sem se importar se a derrota será no campo democrático ou por intermédio de ato de exceção.
E esse alinhamento quase que unânime e automático dos principais meios de comunicação aos partidos que se opõem a um governo democrático e popular não seria um ponto fora da curva da realidade história nacional e mundial, não fosse o fato de que, aqui no Brasil, incluem-se nesse exército midiático de oposição as principais redes de tv e rádio, que como sabemos, são concessões públicas e como tal deveriam estar submetidas a mecanismos de regulação que pudessem garantir a ampla liberdade de expressão e de informação, impedindo as práticas anti democráticas de nos impor uma única narrativa e, muitas vezes, a adoção de distorções de fatos, sempre com um único objetivo: o de açoitar e fragilizar os governos eleitos a partir de 2003.
Então, o que vemos, lemos e ouvimos todos os dias? Um verdadeiro massacre midiático, capitaneado pela maioria das redes de tv nacionais e suas afiliadas locais, despejando em seus jornais as mesmas cantilenas sobre a corrupção, em especial sobre a operação lava jato, sempre com a mesma narrativa, sempre com a mesma linha indutiva de tentar fazer seus telespectadores, radiouvintes e leitores acreditarem que a corrupção nunca foi tão grande como agora e que o PT é o partido mais corrupto de todos.
Ora! Sabemos que a corrupção é um mal que percorre o planeta de norte a sul, de leste a oeste, ao longo dos tempos. A historiografia comprova a existência desse mal na Grécia Antiga, no Império Romano e em outras civilizações do mundo antigo, permanecendo através da história do homem, inclusive e naturalmente, para "surpresa" de hipócritas e mal intencionados, nos governos de Lula e Dilma.
A diferença, grande diferença, é que agora foram criados mecanismos de combate a esse mal, que longe de ser eliminado, é certo que ocorre em menor grau, embora pareça que sua incidência seja maior. E essa aparência é um efeito natural de mais investigação e mais controle, com a criação da Controladoria Geral da União em 2003; a homologação da Lei de Acesso à Informação em 2011; da Lei de Lavagem de Dinheiro em 2012; da Lei Anti Corrupção em 2013 e da Lei das Organizações Criminosas, também em 2013. Já em governos anteriores, notadamente nos dois governos de FHC, além da inexistência destes mecanismos, o Procurador Geral da República engavetava toda denúncia que chegava à PGR contra o governo e a PF era maneteada, o que dava a impressão de que não havia corrupção ou que ela ocorria com menor intensidade.
Sabemos que a realidade era outra, e casos notórios estão aí para não nos deixar mentir, como a privataria tucana, o mensalão tucano, a pasta rosa, o Sivan, a lista de Furnas, o trensalão, a sanguessuga, o caso das ambulâncias e outros, que foram empurrados para debaixo do tapete, mas que começam a se esparramar pela sala, tantos que são.
Sim, queremos um combate cada vez mais duro contra a corrupção e que os envolvidos sejam punidos. Mas vamos fazer o dever de casa completo e passar a limpo todos os casos conhecidos e que estão dormitando, esquecidos e empoeirados em alguma gaveta do MPF ou do poder judiciário.
Mas serem "levados a crer" nessa falsa realidade está longe de ser uma conseqüência natural por conta da divulgação dos casos descobertos de 2003 em diante. É muito mais por uma estratégia da oposição, aplicada com zelo e requinte pelos tradicionais meios de comunicação que se expressam não como órgãos informativos, mas como verdadeiros porta vozes da oposição partidária e não partidária. Quando digo "não partidária", refiro-me aos setores conservadores e fascistas da sociedade, que nem sempre se alinham a algum partido de oposição, mas querem apenas a derrota do projeto democrático e popular iniciado em 2003, com a primeira vitória de Lula, sem se importar se a derrota será no campo democrático ou por intermédio de ato de exceção.
E esse alinhamento quase que unânime e automático dos principais meios de comunicação aos partidos que se opõem a um governo democrático e popular não seria um ponto fora da curva da realidade história nacional e mundial, não fosse o fato de que, aqui no Brasil, incluem-se nesse exército midiático de oposição as principais redes de tv e rádio, que como sabemos, são concessões públicas e como tal deveriam estar submetidas a mecanismos de regulação que pudessem garantir a ampla liberdade de expressão e de informação, impedindo as práticas anti democráticas de nos impor uma única narrativa e, muitas vezes, a adoção de distorções de fatos, sempre com um único objetivo: o de açoitar e fragilizar os governos eleitos a partir de 2003.
Então, o que vemos, lemos e ouvimos todos os dias? Um verdadeiro massacre midiático, capitaneado pela maioria das redes de tv nacionais e suas afiliadas locais, despejando em seus jornais as mesmas cantilenas sobre a corrupção, em especial sobre a operação lava jato, sempre com a mesma narrativa, sempre com a mesma linha indutiva de tentar fazer seus telespectadores, radiouvintes e leitores acreditarem que a corrupção nunca foi tão grande como agora e que o PT é o partido mais corrupto de todos.
Ora! Sabemos que a corrupção é um mal que percorre o planeta de norte a sul, de leste a oeste, ao longo dos tempos. A historiografia comprova a existência desse mal na Grécia Antiga, no Império Romano e em outras civilizações do mundo antigo, permanecendo através da história do homem, inclusive e naturalmente, para "surpresa" de hipócritas e mal intencionados, nos governos de Lula e Dilma.
A diferença, grande diferença, é que agora foram criados mecanismos de combate a esse mal, que longe de ser eliminado, é certo que ocorre em menor grau, embora pareça que sua incidência seja maior. E essa aparência é um efeito natural de mais investigação e mais controle, com a criação da Controladoria Geral da União em 2003; a homologação da Lei de Acesso à Informação em 2011; da Lei de Lavagem de Dinheiro em 2012; da Lei Anti Corrupção em 2013 e da Lei das Organizações Criminosas, também em 2013. Já em governos anteriores, notadamente nos dois governos de FHC, além da inexistência destes mecanismos, o Procurador Geral da República engavetava toda denúncia que chegava à PGR contra o governo e a PF era maneteada, o que dava a impressão de que não havia corrupção ou que ela ocorria com menor intensidade.
Sabemos que a realidade era outra, e casos notórios estão aí para não nos deixar mentir, como a privataria tucana, o mensalão tucano, a pasta rosa, o Sivan, a lista de Furnas, o trensalão, a sanguessuga, o caso das ambulâncias e outros, que foram empurrados para debaixo do tapete, mas que começam a se esparramar pela sala, tantos que são.
Sim, queremos um combate cada vez mais duro contra a corrupção e que os envolvidos sejam punidos. Mas vamos fazer o dever de casa completo e passar a limpo todos os casos conhecidos e que estão dormitando, esquecidos e empoeirados em alguma gaveta do MPF ou do poder judiciário.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Uma única narrativa: aquela que interessa à oposição e a um de seus principais partidos
Só a canalhice explica a abordagem ao problema da falta d'água, como fez o Mau dia Brazil (nesse caso é com "Z" mesmo) na edição de hoje.
Se aproveitando da declaração de cientistas que afirmam, em uníssono, já terem alertado sobre o problema da falta d'água desde 2013, esse jornal (?) matinal generaliza e joga a responsabilidade no colo do governo federal. Ora! Nós e a mesa de granito sobre a qual escrevo esse comentário, sabemos que a responsabilidade pelo abastecimento d'água é dos governos estaduais.
Isso é o que podemos chamar de tremenda forçação de barra de um jornal que faz tudo, menos jornalismo. Aliás, o que faz mesmo é papel de órgão oficial de determinado partido de oposição que representa os interesses de grandes capitalistas brasileiros (?) antinacionais.
Tal partido governa um estado que sofre com a falta d'Água desde 2013, embora, alertas técnicos sobre a necessidade de medidas urgentes já tenham sido orientadas a partir de 2003.
Nada foi feito e a tragédia que se abate sobre a população daquele grande estado só se agrava. Ainda assim, esse mesmo jornal, outros jornais do mesmo grupo de mídia e seus sócios do PIG evitaram falar do problema que flagela essa grande unidade da federação, como o diabo evita a cruz. Não podiam, afinal, contrariar os interesses do partido que representam.
Agora, que a crise hídrica afeta outros estados da federação (ainda que com muito menos intensidade), o Mau dia Brazil generaliza a crítica, como forma de diluir a responsabilidade dos governantes daquele grande estado e, o que é pior, tenta jogar o bode na sala do governo federal.
Mas, enquanto o vergonhoso monopólio dos meios de comunicação não for rompido, não podemos esperar comportamento diferente da mídia tradicional, que tenta nos impor uma única narrativa, em nome de seus interesses e do principal partido que os defende.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
A corrupção já foi muito maior
A oposição e grandes veículos de comunicação surfam as ondas das denúncias de corrupção, na tentativa de ganhar o campeonato nacional de opinião pública, distorcendo, partidarizando e até mentido sobre aquilo que vendem como notícia, como informação, buscando desqualificar o governo recém reeleito e sua base aliada. Fazem isso imaginando um povo imbecil, mal informado, incapaz de fazer seu próprio julgamento. Um povo que gostariam de manobrar, de capturar com sua narrativa sórdida, para legitimar seus preceitos, seu receituário econômico gerador de arrocho salarial, de desemprego, de mais desigualdade social. Um povo que gostariam de ter ao seu lado, em seu desejo mal disfarçado de privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outras estatais que construímos com tanto trabalho e orgulho. Tentam rimar corrupção com estatal, com o governo, com Dilma, com o PT, com o PCdoB, com a base aliada, como se esse mal que viceja na direção de todos os pontos cardeais, nos dois hemisférios, fosse uma invenção de agora, inaugurada por Lula e Dilma e que ocorresse exclusivamente no setor público.
Ora - com a devida licença de Mino Carta -, até o prédio inacabado e abandonado que vejo de minha janela, sabe que isso não é verdade! Não, não é verdade que desvios gigantescos de dinheiro público começaram agora; também não é verdade que a corrupção no setor público se avolumou a partir de 2003 e, mas mais do que isso, a corrupção também está presente no setor privado de forma sistêmica.
Quem está acompanhando o desenrolar do caso Petrobrás e quer se informar melhor, recomendo a leitura do texto escrito pelo tucano e empresário Ricardo Semler, publicado na Folha de São Paulo, sob o título: Nunca se roubou tão pouco. Nele, o empresário corajosamente fala que "nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobrás nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito". Mais adiante Semler diz que "os percentuais (de propina), caíram. Foi só isso que mudou". E continuando seu corajoso texto, quase um desabafo, ele escreve que "a coisa não para na Petrobrás. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas". Essa afirmação me faz lembrar da famosa e famigerada lista de Furnas (denunciada como fraude, mas atestada como autêntica); do cartel dos trens de São Paulo e muitos outros escândalos de corrupção graúda que supostamente envolvem tucanos, mas que a vergonhosa cobertura seletiva de alguns dos grandes meios de comunicação preferem omitir, quando muito dar uma notinha de rodapé em uma pagina esquecida de um veículo impresso, ou mencionar timidamente em um jornal de rádio ou TV.
Ricardo Semler também afirma no texto que "o que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais, sem antes dar propina para o diretor de compras". Fosse alguém com algum vínculo com o atual governo ou com sua base aliada, tais ditos seriam prontamente desqualificados, execrados, mesmo. Mas o autor do texto é filiado ao PSDB e teve sua ficha abonada por Franco Montoro, Mario Covas, José Serra e FHC. Não é pouca coisa. Tem autoridade e idoneidade para escrever o que escreveu.
E arremato dizendo que combinar licitações como fizeram, de acordo com as acusações, grandes empreiteiras na Petrobrás, não deve ser nenhuma novidade e não deve ocorrer apenas em estatais federais. Tudo indica que essa é uma prática que permeia por todo o setor público, na administração direta e indireta de todos os níveis da federação. Se passar o pente fino, muito provavelmente descobriremos que licitações municipais e estaduais também são administradas de fora pelos carteis locais, regionais e até nacionais, dependendo do tamanho do negócio.
E, para além disso, desconfio, por exemplo, que o valor do metro quadrado dos apartamentos novos poderia ser mais barato, se houvesse maior controle sobre o setor comercial das construtoras.
Até as organizações Globo, às voltas com a diminuição de sua audiência e perda de eleitores, deveria dar mais atenção ao seu setor comercial, suponho.
A oposição e grandes veículos de comunicação surfam as ondas das denúncias de corrupção, na tentativa de ganhar o campeonato nacional de opinião pública, distorcendo, partidarizando e até mentido sobre aquilo que vendem como notícia, como informação, buscando desqualificar o governo recém reeleito e sua base aliada. Fazem isso imaginando um povo imbecil, mal informado, incapaz de fazer seu próprio julgamento. Um povo que gostariam de manobrar, de capturar com sua narrativa sórdida, para legitimar seus preceitos, seu receituário econômico gerador de arrocho salarial, de desemprego, de mais desigualdade social. Um povo que gostariam de ter ao seu lado, em seu desejo mal disfarçado de privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outras estatais que construímos com tanto trabalho e orgulho. Tentam rimar corrupção com estatal, com o governo, com Dilma, com o PT, com o PCdoB, com a base aliada, como se esse mal que viceja na direção de todos os pontos cardeais, nos dois hemisférios, fosse uma invenção de agora, inaugurada por Lula e Dilma e que ocorresse exclusivamente no setor público.
Ora - com a devida licença de Mino Carta -, até o prédio inacabado e abandonado que vejo de minha janela, sabe que isso não é verdade! Não, não é verdade que desvios gigantescos de dinheiro público começaram agora; também não é verdade que a corrupção no setor público se avolumou a partir de 2003 e, mas mais do que isso, a corrupção também está presente no setor privado de forma sistêmica.
Quem está acompanhando o desenrolar do caso Petrobrás e quer se informar melhor, recomendo a leitura do texto escrito pelo tucano e empresário Ricardo Semler, publicado na Folha de São Paulo, sob o título: Nunca se roubou tão pouco. Nele, o empresário corajosamente fala que "nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobrás nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito". Mais adiante Semler diz que "os percentuais (de propina), caíram. Foi só isso que mudou". E continuando seu corajoso texto, quase um desabafo, ele escreve que "a coisa não para na Petrobrás. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas". Essa afirmação me faz lembrar da famosa e famigerada lista de Furnas (denunciada como fraude, mas atestada como autêntica); do cartel dos trens de São Paulo e muitos outros escândalos de corrupção graúda que supostamente envolvem tucanos, mas que a vergonhosa cobertura seletiva de alguns dos grandes meios de comunicação preferem omitir, quando muito dar uma notinha de rodapé em uma pagina esquecida de um veículo impresso, ou mencionar timidamente em um jornal de rádio ou TV.
Ricardo Semler também afirma no texto que "o que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais, sem antes dar propina para o diretor de compras". Fosse alguém com algum vínculo com o atual governo ou com sua base aliada, tais ditos seriam prontamente desqualificados, execrados, mesmo. Mas o autor do texto é filiado ao PSDB e teve sua ficha abonada por Franco Montoro, Mario Covas, José Serra e FHC. Não é pouca coisa. Tem autoridade e idoneidade para escrever o que escreveu.
E arremato dizendo que combinar licitações como fizeram, de acordo com as acusações, grandes empreiteiras na Petrobrás, não deve ser nenhuma novidade e não deve ocorrer apenas em estatais federais. Tudo indica que essa é uma prática que permeia por todo o setor público, na administração direta e indireta de todos os níveis da federação. Se passar o pente fino, muito provavelmente descobriremos que licitações municipais e estaduais também são administradas de fora pelos carteis locais, regionais e até nacionais, dependendo do tamanho do negócio.
E, para além disso, desconfio, por exemplo, que o valor do metro quadrado dos apartamentos novos poderia ser mais barato, se houvesse maior controle sobre o setor comercial das construtoras.
Até as organizações Globo, às voltas com a diminuição de sua audiência e perda de eleitores, deveria dar mais atenção ao seu setor comercial, suponho.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
O BRASIL NÃO ESTÁ DIVIDIDO, MAS CLAMA POR MUDANÇAS
O clima pós eleições ainda está dominado pela emoção que, sabemos, não é boa conselheira, além de ser forte indutora de atos impulsivos, muitas vezes reprováveis.
Não, o Brasil não está dividido. Essa dicotomia não passa de uma impressão emocional momentânea de parte do eleitorado, ou sonho de consumo de setores irresponsáveis do projeto derrotado, que tentam, desde já, construir um consenso nacional sobre essa falsa divisão, usando, como sempre, grandes veículos de comunicação a serviço de seus objetivos, contribuindo, inclusive, para manifestações xenofóbicas e preconceituosas como as que temos visto no mundo virtual e real.
Tentar convencer os brasileiros de que o Brasil está dividido após a vitória de Dilma é o caminho mais curto, acreditam, para tentar inviabilizar desde seu início o governo reeleito, encurralando-o nas cordas e ir, aos poucos, minguando suas forças com golpes abaixo da linha de cintura, comprometendo a governabilidade e criando um consenso na opinião pública de que o governo é ruim, inoperante e que foi um erro do eleitor quando permitiu a reeleição da presidenta Dilma. Junte-se a isso um novo escândalo super dimensionado - e até deturpado - pelos arautos do golpismo, e estaremos a caminho do impedimento da presidenta via Congresso Nacional, que sai destas eleições o mais conservador dos últimos 12 anos. Esse é o enredo de uma ópera bufa e trágica que entrou em cena logo após o resultado das eleições presidenciais.
Mas o Brasil não está dividido, a não ser no maroto mapa vermelho e azul montado por estes golpistas de plantão. Dividir o país em estados pró Dilma e anti Dilma chega a ser cômico, se não trouxesse consigo a possibilidade de uma tragédia em gestação no útero da direita antidemocrática, incapaz de esperar mais quatro anos para uma nova tentativa de voltar ao Palácio do Planalto pelo voto.
Assim como o eleitorado de São Paulo não votou integralmente em Aécio, o de Pernambuco também não votou integralmente em Dilma. O mesmo aconteceu nas faixas de renda. Os dois candidatos tiveram votos em todas elas, embora mais votados em umas do que em outras. Dilma teve muitos votos nas classes A e B, assim como Aécio foi bem votado, ainda que minoritariamente, nas classes D e E.
Mesmo a divisão numérica, que ficou caracterizada pela pequena diferença de menos de quatro pontos percentuais a favor de Dilma, não pode sustentar a tese da divisão do país entre petistas e anti petistas. Os números finais do pleito são apenas um retrato, uma manifestação momentânea do desejo de grande parte do eleitorado, que em seguida ao voto não cristalizará sua opção, passando automaticamente a observar, com maior ou menor interesse, os rumos do governo, podendo reverter sua opção a qualquer tempo, embora só venha a manifestá-la nas próximas eleições ou em manifestações populares como as jornadas de junho/julho de 2013. Ou seja, ao longo dos próximos quatro anos, eleitores de Dilma poderão ir para a oposição, assim como esta pode perder eleitores para a situação. Tudo vai depender da capacidade do governo em cumprir os compromissos assumidos e impedir que o fogo de barragem da maior parte dos veículos de comunicação criem uma cortina de fumaça sobre suas realizações.
Eis a primeira batalha pós-eleitoral. É preciso impedir que setores golpistas dos meios de comunicação e a parcela irresponsável da oposição vençam a disputa pela opinião pública e consigam convencer a maioria dos brasileiros de que o país está dividido entre os prós e os contra Dilma. Perder essa batalha será um péssimo começo. E essa batalha só pode ser vencida se o governo conseguir manter-se na ofensiva, obsessivamente na ofensiva, criando a pauta e não sendo pautado.
Para conseguir esse intento é preciso, para um bom começo, inverter a mão no diálogo com a sociedade em relação às mazelas da corrupção, pois ela continuará na pauta, queira o Palácio do Planalto ou não, uma vez que é uma velha e eficaz receita da direita para golpear governos progressistas e populares, como ocorreu com Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e Dilma - leiam a coluna de Merval Pereira de hoje (23/10) e verão que não estou fazendo apenas suposições.
Só com uma ofensiva explícita e recuperando a bandeira da ética é que o governo terá condições de evitar os estragos que atos de corrupção são capazes de causar à sua imagem, uma vez que extirpa-los de vez é impossível, é tarefa quase inglória. Em síntese, é preciso evitar que atos de corrupção que venham à luz do dia tornem-se marca do governo, embotando e desbotando realizações exitosas e inclusivas como ocorreu a partir da segunda metade do governo Dilma, quando a direita e seu braço armado midiático mudou de tática deixando de exultar a implacável luta da presidenta contra a corrupção, como fazia no início de seu mandato. Em 2011 e em parte de 2012, ao mesmo tempo que a adulava, tentava afastá-la de Lula de forma marota, classificando seu antecessor como um presidente leniente e até conivente com malfeitos. Como não deu certo, partiram para cima de Dilma, tentando sitiá-la e emoldurá-la na imagem da corrupção. Por pouco não tiveram êxito, como vimos nestas eleições.
Mas se a ofensiva no combate à corrupção é uma exigência de primeira hora e fundamental para implodir a casamata que abriga o único canhão oposicionista que ainda pode causar estragos imediatos nesse momento pós-eleitoral, são as grandes reformas estruturais e a radicalização das ações inclusivas que irão garantir um governo exitoso, capaz de coesionar sua base aliada e ampliar o apoio popular, atraindo para o projeto democrático e progressista outros partidos e organizações do movimento popular que, embora de esquerda, mantêm-se na oposição - ou quase - por entenderem que suas bandeiras não estão contempladas dentro das políticas governamentais.
É certo que houve muitas conquistas nestes 12 anos, após a primeira eleição de Lula. O Brasil se tornou a sétima economia do mundo e implantou diversas políticas de inclusão social e de distribuição e transferência de renda jamais vistos em sua história e que alcançam reconhecimento mundial. Ainda assim, a profunda desigualdade que ainda persiste na sociedade brasileira está a exigir mais mudanças e em ritmo mais acelerado. Sem atender essas necessidades e expectativas, o risco de ocorrer uma frustração coletiva é enorme. É preciso avançar na democratização, incentivando maior participação popular na definição e formatação das políticas públicas, inclusive na sua fiscalização; é preciso mais desenvolvimento e mais progresso social.
Mas o governo só será capaz de atender essas demandas se ousar propor e lutar pelas grandes reformas ainda por fazer e aprofundar a implantação das políticas inclusivas e democratizantes, como a reforma política com financiamento público de campanha e voto em lista - compromisso já renovado por Dilma; reforma tributária progressiva e cobrança de impostos de grandes fortunas; reforma agrária; reforma urbana; regulação e democratização dos meios de comunicação conforme previsto da Constituição Federal; ampliar as medidas de proteção ao meio ambiente; ampliar os esforços para universalização dos serviços públicos; propor e lutar pela implantação da jornada de trabalho de 40 horas semanais, sem redução do salário; implantar mecanismo que permita a extinção do fator previdenciário com prazo determinado; acelerar a demarcação e regularização das terras indígenas e quilombolas; aprofundar os mecanismos de combate às discriminações raciais e de gênero. Tais reformas e políticas é que serão capazes de garantir uma estratégia de desenvolvimento duradouro e acelerado, na direção de conquistas mais amplas para a superação das profundas desigualdades sociais e regionais ainda existentes.
É certo, entretanto, que trilhar esse caminho significa ter disposição para enfrentar acirrada resistência das forças conservadoras, que tudo farão para impedir que a sociedade brasileira avance nessa direção. E o arsenal de que o adversário dispões é de grande contundência. Entre outras instituições eles têm ao seu lado os principais meios de comunicação e o congresso nacional, que é majoritariamente conservador, ainda que numericamente governista. Está claro, portanto, que sem um forte apoio e mobilização do campo popular e de esquerda, torna-se quase impossível sair da fase homeopática das mudanças.
A construção desse campo é fundamental e deve unir, tanto quanto possível, todas as forças políticas que tenham identidade com as mudanças e avanços defendidos e requeridos pelos setores populares, progressistas e de esquerda, sejam eles partidos políticos, movimentos sociais, centrais sindicais, e outros segmentos que enxerguem esse caminho como aquele que levará à modernização do Estado nacional e ao fortalecimento de nossa soberania com a eliminação das grandes desigualdades sociais que ainda perduram. Nessa direção, é importantíssimo que o governo tente atrair de volta o PSB, que busque atrair o PSOL e outros partidos de esquerda, mesmo que estes ainda não tenham representação no congresso nacional. É possível e necessário também conquistar o apoio de outras centrais sindicais - além da CUT e da CTB - e de movimentos populares importantes e portadores de grandes e legítimas demandas sociais. Sem essa mobilização, as amarras institucionais e a capacidade de resistências das forças conservadoras impedirão os avanços requeridos pela sociedade, mas a fatura será cobrada do governo e não daqueles que obstruíram o caminho das mudanças.
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