A presidenta Dilma foi afastada, ainda que temporariamente,
por um golpe de estado, cuja forma foi adaptada às condições atuais, mas que em
seu conteúdo se identifica com o golpe “dos tanques nas ruas”, uma vez que
rasga a Constituição e joga na sarjeta a vontade popular. E, o que é pior, caminha
para se assemelhar também com a face mais sombria de uma quartelada, suprimindo
liberdades democráticas, criminalizando movimentos sociais e alienando ao
Estado a integridade física de seus opositores.
O governo interino de Temer não governa sob o manto da
legalidade por ser fruto de um golpe de estado. Também não está sob o manto da
legitimidade, uma vez que não é resultado da vontade popular. Pior ainda. Sua
sustentação está assentada em um parlamento envolvido em atos de corrupção e
outros crimes, como sobejamente apontam procuradores, promotores, inquéritos e
processos judiciais.
Mesmo que Dilma venha a ser afastada definitivamente, é
certo que o governo golpista e usurpador que a sucederá não terá condições
políticas de governabilidade pelo menos até o início de 2019, quando emergirá,
esperamos, o novo governo erguido pela força do voto popular.
Mas se Dilma for absolvida no senado e reassumir o comando
do país, a legalidade terá sido recomposta, uma vez que poderá concluir seu
mandato delegado pelas urnas em 2014.
Entretanto, barrar o golpe e reassumir o posto não lhe devolverá automaticamente a legitimidade e a governabilidade necessária para propor e conseguir a aprovação de medidas - fora do receituário neoliberal - capazes de superar a crise econômica que avassala o Brasil.
Terá contra si o
mesmo Congresso que tentou golpeá-la e, nas ruas, o povo ainda desconfiado e
inseguro quanto à sua capacidade política de conduzir a grande nave Brasil para
um porto seguro.
Deverá ela, então, desde já, assumir o compromisso de que irá propor a realização de um plebiscito tão logo retorne ao exercício de seu mandato, para que o povo brasileiro decida sobre o destino do país. Se quer que ela continue à frente da nação até 2018 ou se prefere a antecipação das eleições
presidenciais.
Qualquer que seja o resultado, o povo terá devolvido a
legitimidade ao governo, independente de quem estiver á frente do mesmo, seja Dilma ou quem
a suceder.
Seja qual for o caminho escolhido pelo voto direto dos brasileiros e brasileiras, Dilma será lembrada pela história como a presidenta que defendeu a democracia acima de seus interesses pessoais.
Seja qual for o caminho escolhido pelo voto direto dos brasileiros e brasileiras, Dilma será lembrada pela história como a presidenta que defendeu a democracia acima de seus interesses pessoais.
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