A recente entrevista que o ministro Gilmar Mendes concedeu
ao "O Cafezinho" expôs mais ainda as entranhas do golpe.
Mas o que mais me
chamou a atenção foi o recado que ele mandou, como se tivesse delegação dos
demais ministros do STF.
O que para mim se depreende de parte da entrevista é que se
Dilma for afastada definitivamente pelo Senado, recursos ao STF serão inócuos,
mesmo que a Suprema Corte brasileira tenha convicção de que ela não tenha
cometido crime de responsabilidade ou qualquer outro crime.
Se as respostas de Gilmar Mendes refletem ou não a opinião
do STF ou da maioria de seus membros, só o tempo poderá nos dizer, mas alguns
trechos das respostas do ministro nos conduzem de forma clara para essa interpretação.
Concluam vocês mesmos ouvindo a entrevista completa, da qual
destaco dois trechos que exprimem inequivocamente o que afirmo aqui.
Ao ser indagado quanto a possibilidade de os governadores
que pedalaram sofrerem também processo de impeachment, chama a atenção a parte
da resposta em que o ministro diz: "...em suma, como se vê, o processo é
político, é preciso que, veja, se ela também tivesse cometido o crime, ficasse
flagrantemente provado que ela tivesse
cometido o crime e ela tivesse obtido 172 votos, ela também não seria
processada."
Com essa resposta, se ela traduz a opinião da maioria dos
ministro do supremo, fica evidente que nossa mais alta corte de justiça faz
como Pilatos, deixando Dilma à sorte de um parlamento dominado por suspeitos de
corrupção e outros crimes. Faz parecer que o STF, pelo menos por omissão, se
alinha à intentona golpista.
Essa e omissão se destaca mais ainda, quando Gilmar Mendes responde
a pergunta "se nem o 'Papa, Deus ou o Diabo' salvam Dilma, de nada
vale a defesa?" Em um trecho da
resposta ele diz: "...na quinta feira que antecedeu o processo de impeachment, nós ficamos (os
ministros do STF) 7 horas discutindo todos os questionamentos sobre esse tema e
exaurimos. Então, a rigor, no que diz respeito ao processo na Câmara, nós não
tínhamos mais nada o que fazer. Tanto é que houve depois várias impugnações e
elas todas foram indeferidas".
Como se vê, só as ruas poderão impedir o golpe e preservar a
democracia no Brasil.
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