quinta-feira, 11 de maio de 2017

Colunista da Globbels faz malabarismo ao analisar depoimento de Lula

Na coluna de hoje, tentando diminuir o efeito da surra que a lava jato tomou de Lula e do ridículo a que se expôs, com um interrogatório extraído de ilações da mídia corporativa e do espantosamente circense power point do Dallagnol, a colunista afirma que "sua (a de Lula) popularidade é grande, mas menor do que já foi..."

A coluna inteira é um monte de bobagens sem fundamentos, e serve apenas como correia de transmissão do pensamento (ou desejo) de seus patrões. Mas essa afirmativa sobre a popularidade de Lula é tão "solta no ar", sem maiores preocupações contextuais, que a reprovaria em qualquer teste sobre ciência política e torna menor ainda sua importância (já tão comprometida) para o jornalismo brasileiro.

Se formos aos números das recentes pesquisas que apontam a tendência de voto do eleitorado brasileiro nas próximas eleições presidenciais (se houver eleições, se não formos surpreendidos com um golpe dentro do golpe), veremos que a intenção de voto no pré-candidato Lula gira em torno de 40%.

Ora, é um número fantástico, se formos considerar a intensa campanha negativa contra o ex-presidente, perpetrada pelos principais veículos de comunicação (?) brasileiros, capitaneados pela rede Gloebbels. Apesar dessa tentativa infame, diuturna, de destruir a imagem de Lula, a intenção de votos no "jararaca" cresce a cada dia e a cada golpe desferido contra ele.


Mirian, avise a seus patrões (para não ser cobrada depois), que 40% de intenção de votos em tais circunstâncias é muito mais representativa, significa mais do que a aprovação que Luiz Inacio tinha quando findou seu segundo mandato e surfava a onda do exuberante crescimento brasileiro. Após o depoimento de ontem, então... É só aguardar as próximas pesquisas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Marisa Letícia, uma brasileira

Chegar e partir é inerente a todos nós, a todo ser vivo.
Pena Marisa partir ainda tão cheia de vida, e em meio a um momento em que enfrentava com fibra, com coragem ataques infames, fascistas contra Lula, seu grande companheiro de vida e de luta, mas que a atingia também, e a seus filhos, o que lhe causava imensa dor e que, talvez, tenha apressado sua partida, tenha pressionado demais o aneurisma cerebral que a acompanhava há alguns anos.
Marisa se foi em matéria, mas ficará como uma das grandes brasileiras, daquelas que ousaram e ousam lutar por um Brasil melhor, por um mundo melhor. Uma guerreira que lutou – a seu modo e com sua sabedoria inata – a luta de todos os brasileiros e brasileiras  excluídos do usufruto das riquezas que produzem, das riquezas naturalmente oferecidas pela rica geografia e geologia do Brasil.
Diferentemente de seus insanos detratores, Marisa já é enaltecida pela história e viverá para sempre em nossos corações.

Dedico, um tanto encabulado pela inabilidade poética, esse simplório acróstico a Marisa Letícia, prestando minha pública solidariedade a Lula, sua família e amigos.

Marisa Leticia

Marisa, uma brisa suave e constante que soprou por 66 anos
Amiga e amor inseparável do maior presidente do Brasil
Reinou como mulher, cidadã, mãe, guerreira, revolucionária...
Inseparável companheira da maior estrela do PT
Serena e discreta senhora do palácio, guardiã da humildade
Amou o marido, amou os filhos, amou os brasileiros e brasileiras

Legou honestidade, alegria, solidariedade, amor, amor e amor
Elevou a condição de primeira dama à humanidade de Marisa Letícia
Transitou por palácios com os passos do povo brasileiro
Inaugurou, junto com Lula, a era da esperança e da bonança
Compartilhou de sonhos coletivos, por justiça e igualdade
Indignou-se com o ódio fascista de humanos desumanizados
Acima de tudo, porem, amou a vida, amou os seus, amou o Brasil

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Em busca da centelha

Nestes tempos bicudos é recorrente ouvir comentários, curtos ou longos, de como o povo é ignorante, alienado, indulgente, entre outros adjetivos para descrever o comportamento da patuleia frente ao verdadeiro assalto continuado aos direitos conquistados e às riquezas nacionais, praticado pela quadrilha de golpistas que usurpou um governo legitimamente eleito, solapando de roldão a democracia da Constituição e da convivência social.

É compreensível o desespero de muitas e muitos de nós diante da cavalgada impassível desses cavaleiros do apocalipse a destruir conquistas civilizacionais e patrimônios nacionais.
Mas concordando que somos mais ignorantes e menos bem informados que a patuleia de outros países, não vejo que seja essa a explicação de nossa passividade diante da quadrilha que invadiu nossos quintais e ameaça entrar em nossas casas.

Já vimos e veremos fascistas e flertadores do fascismo conquistarem a hegemonia política em países onde os eleitores são muito mais letrados e menos midiotizados do que nós.

Há algo mais ligado ao campo do imaginário coletivo, da psicologia coletiva - sei lá - a nos congelar, a impedir que esbocemos reação diante dessa tragédia e de absurdos que se sucedem a cada dia, envolvendo o núcleo do governo federal, do poder judiciário e do Ministério Público, dominado por golpistas.

Em 2013 São Paulo viveu forte reação de setores da população que reagiram ao aumento de 20 centavos no preço da passagem, e por razões ainda não muito bem compreendidas, aquilo se alastrou pelo pais afora, se tornando um dos maiores movimentos de massa da história do Brasil, que durou por vários dias.

Já não era mais pelos 20 centavos, mas também não passou a ser por bandeiras específicas. Foi uma imensa explosão de energia, de indignação coletiva "contra tudo isso que está aí", mas que não encontrou um eixo que pudesse organizar e direcionar a força daquela explosão, que acabou se dissipando. É bem verdade que no meio daquelas multidões que enchiam as grandes praças e avenidas do país estava o ovo da serpente das manifestações contra Dilma ao longo de 2015 e 2016. Mas essa é uma outra história.

O fato é que nós só conseguiremos sair do torpor que nos aprisiona a contemplar essa quadrilha a saquear nosso futuro, se formos capazes de encontrar a centelha que poderá desencadear uma reação coletiva e reintegrar ao povo a posse de seu governo.


Para isso é preciso que continuemos a lutar com determinação, mas tendo em conta que poderá ser uma luta prolongada, que a vitória poderá demorar anos e que na trajetória dessa luta ainda poderemos perder muito mais do que já perdemos.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Uma revolução acontece no México — mas a mídia “não sabe”

O que começou como uma greve dos professores contra a privatização da Educação no país, se espalhou em manifestações, bloqueios e comunas. O EZLN, histórico grupo revolucionário, notificou o governo que não irá tolerar a violência institucional praticada contra a população.


Em um comunicado divulgado na sexta-feira, 17 de junho, os zapatistas colocaram as seguintes questões relacionadas com a greve em curso dos professores nacionais no México:
“Eles apanharam, jogaram gás neles, os prenderam, os ameaçaram, sofreram disparos, calúnia, com o governo declarando estado de emergência na Cidade do México. Qual é o próximo passo? Irão desaparecer com os professores? Será que vão matá-los? A reforma educacional vai nascer por cima do sangue e cadáveres dos professores?”

No domingo, 19 de junho, o Estado respondeu a estas perguntas com um enfático “Sim”. A resposta veio na forma de fogo de metralhadora da Polícia Federal dirigidas contra professores e moradores que defendem o bloqueio de uma estrada em Nochixtlán, uma cidade no sul do estado de Oaxaca.
Inicialmente, o Ministério de Segurança Pública de Oaxaca afirmou que a Polícia Federal estava desarmada e “nem mesmo carregava bastões”. Após ampla evidência visual e uma contagem de corpos de manifestantes mortos no “confronto”, o Estado admitiu que policiais federais abriram fogo contra o bloqueio, matando seis. Enquanto isso, os médicos em Nochixtlán divulgaram uma lista de oito mortos, 45 feridos e 22 desaparecidos. Na segunda-feira, o Coordenador Nacional dos 

Trabalhadores da Educação (CNTE), disse que dez foram mortos no domingo, incluindo nove de Nochixtlán.

Os professores pertencentes à CNTE, uma facção mais radical de cerca de 200 mil dentro dos 1,3 milhões do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educaçãpo (SNTE), o maior sindicato da América Latina, estão em greve por tempo indeterminado desde o dia 15 de maio. Sua demanda principal é a revogação da “Reforma Educacional”, iniciada pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto em 2013.

Um plano neoliberal baseado em um acordo de 2008 entre o México e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a reforma visa padronizar e privatizar o sistema de educação pública do México, bem como enfraquecer o poder do sindicato dos professores. Os professores também estão exigindo mais investimento em educação, liberdade para todos os presos políticos, além da verdade e justiça para os 43 desaparecidos de Ayotzinapa.

Um ataque tarde da noite no dia 11 de junho contra o acampamento dos professores em um bloqueio no Instituto de Educação Pública (IEEPO) concentrou mais de mil policiais, que moveram as barricadas e retiraram rapidamente os professores e moradores do local. Um dia depois, os dois principais líderes da CNTE em Oaxaca e Cidade do México foram presos, além de 24 mandados de prisão emitidos para as outras lideranças.

Dezenas de bloqueios foram feitos pela população até o dia 14 de junho, quando dezenas de milhares saíram às ruas para comemorar o aniversário da rebelião em Oaxaca feita em 2006, com a construção de uma comuna que durou cerca de cinco meses.

A CNTE controla 37 pontos críticos nas rodovias em todo o Estado, bloqueando com 50 caminhões-tanque expropriados. Os bloqueios foram tão eficazes que a ADO, uma grande linha de ônibus de primeira classe, cancelou indefinidamente todas as viagens da Cidade do México para Oaxaca, fazendo a Polícia Federal usar aviões para enviar refroços na cidade de Oaxaca, Huatulco (na costa) e Ciudad Ixtepec.

Domingo à noite, a policia começou a cortar a energia para vários setores da cidade, afetando o transporte público, e aumentando os temores de que as forças federais e estaduais tentassem tomar a cidade e o acampamento dos professores na praça principal (Zócalo).
Já na segunda-feira, pelo menos 40 mil pessoas marcharam em Oaxaca para protestar contra a violência do Estado no domingo. Oitenta grupos da sociedade civil emitiram um “alerta humanitário devido ao ataque do Estado armado contra a população civil”. O governador de Oaxaca, Gabino Cué, afirmou que os professores estão em minoria nos bloqueios — tentando deslegitimar a luta.

Na cidade de San Cristóbal de las Casas, integrantes do EZLN alertaram o ofensiva do governo mexicano contra os professores e a população de Oaxaca.

Em um comunicado oficial, o grupo zapatista diz “não tolerar a violência praticada de forma rotineira contra os educadores e os estudantes”, e que a cada vez que o conflito se aproxima de territórios ocupados pelo grupo, “maiores as chances de um eventual confronto para proteger a população civil contra o Estado assassino e policial”.

Oficialmente, o EZLN não pega em armas desde a metade dos anos 90, após uma ofensiva do grupo revolucionário em Chiapas. Desde lá, diversas tentativas de negociar um processo de paz foram esgotadas, por conta da pressão do exército nos arredores das cidades ocupadas pelo grupo.
Mesmo com a possibilidade de uma verdadeira revolução ocorrer no México, ainda mais urgente que a situação e os protestos na Venezuela, o assunto não virou manchete nos meios de comunicação do Brasil.

Para o ativista mexicano Pablo Barba, residente no Brasil desde 2007, isso ocorre pela semelhança entre o plano do governo mexicano para a Educação e os objetivos do atual governo interino. “A privatização em massa, o enfraquecimento dos sindicatos, isso tudo é debatido pelo atual governo de Michel Temer, é um velho sonho do PSDB. No México já estão fazendo isso, e agora chegou a reação. No Brasil não será diferente, principalmente se os educadores e os estudantes se inspirarem na mobilização mexicana contra esse plano absurdo do governo”, diz o ativista.


Reportagem no México por Scott Campbell, tradutor que viveu em Oaxaca por sete anos, para a ROAR Magazine e traduzido para o Democratize

Matéria publicada originalmente em: https://medium.com/democratize-m%C3%ADdia/uma-revolu%C3%A7%C3%A3o-acontece-no-m%C3%A9xico-mas-a-m%C3%ADdia-n%C3%A3o-sabe-64aaa20f697#.8n8zsaych

A prisão de Paulo Bernardo, o golpe, o plebiscito e a frente ampla

 Então quer dizer que o ex-ministro Paulo Bernardo, sendo chefe de um esquema que teria desviado 100 milhões de reais do erário, como afirma a PF/MPF de São Paulo, ficou com 7 milhões desse montante, ou seja, 7% do total?

Ah! mais respeito com a nossa inteligência.

 Que "quadrilha" é essa cujo chefe fica com a menor parte do butim? O roteiro desse espetáculo não se sustenta. Há algo muito estranho nessa história toda.

Como explicar que um inquérito, que existe ha pelo menos um ano, só agora - e logo agora, no calor das denúncias contra o governo golpista do usurpador Temer - resulta em prisões e conduções coercitivas?

Por que essa operação espetaculizada ocorre logo após a visita do ministro da justiça Sergio Moro, o juiz da Guantánamo de Curitiba?

Aliás, essa ida do ministro a Curitiba está muito mal explicada. O motivo alegado não se sustenta e mais uma vez agride nossa inteligência. Para definir deslocamento de policiais federais da superintendência da PF do Paraná, para reforçar a segurança dos jogos olímpicos no Rio de janeiro, bastaria que o chefe da pasta do ministério da justiça despachasse com o diretor geral da Polícia Federal, seu subordinado direto, sem precisar ir ter com um juiz de primeira instância, não é mesmo?

Mas voltando á operação "custo Brasil" (na verdade, filial da lava jato), o que justifica, em que norma se sustenta a autorização judicial que permitiu a entrada de policiais na casa de uma senadora da república, Gleisi Hoffmann, para realizar a prisão do ex-ministro, além de busca e apreensão de documentos e computadores?

Não há nada de anormal no fato de o Ministério Público e a Polícia federal investigarem  Paulo Bernardo e outros suspeitos de estarem envolvidos em crimes contra o erário. Mas o que não é aceitável, é dispor esse nobre ofício público a interesses políticos, mais ainda quando estes interesses estão voltados para varrer a democracia do Brasil, com a consolidação do golpe de estado em curso. Mas para isso, primeiro o senado tem que a presidenta definitivamente.

E  é forçoso concluir que para fortalecer os golpistas no senado da república é que a operação da filial da lava jato foi levada a cabo justamente no momento em que, na "Câmara Alta", os ventos sopram favoráveis aos que defendem a recondução de Dilma ao comando do país, tamanha a insustentabilidade das razões apresentadas para o impeachment. Era preciso algo para mudar a tendência existente hoje que é, ou era, a de conseguir a adesão de mais senadores e senadoras contra o golpe.

O coroamento deste espetáculo midiático - mais um da intentona golpista - foi a busca e apreensão realizada na sede nacional do PT em São Paulo, como se fosse a tomada de um bunker mafioso. Um aparato de policiais armados até os dentes e em uniformes próprios para o combate, cercou a entrada do prédio, enquanto arapongas vasculhavam seu interior recolhendo documentos e equipamentos eletrônicos.

Cada vez fica mais claro e evidente que dentre os objetivos do golpe está a inviabilização definitiva do PT como um grande partido de esquerda, seja cassando seu direito político, ainda que temporariamente, ou inviabilizando-o financeiramente, com a aplicação de pesadas multas e ordens de devolução de somas estratosféricas. Falta pouco para isso.

Mas enganam-se os que acham que esse é um problema do PT. Não, não é. É um problema que atinge a todos nós, ao atingir a democracia e, em um futuro breve, atingirá de forma contundente todos os setores de esquerda, sejam partidárias ou do movimento social e sindical, sejam próximas ao PT ou não.

Está a caminho a moldagem uma pseudo-democracia pós golpe, com a neutralização das forças progressistas, reduzindo as forças de esquerda a uma fração insignificante da sociedade, via criminalização e desmonte do PT e, concomitantemente, com o fortalecimento de uma "oposição dentro da situação", numa espécie de reedição, em pleno século XXI, da política café com leite que dominou o Brasil na velha república.

Mas o teor dessa abordagem nada tem a ver com uma visão pessimista da conjuntura, mas realista, pois só chegando o mais próximo possível da compreensão da realidade é que se pode definir as melhores táticas para enfrenta-la. E em busca dessa compreensão é prudente aceitar que o inimigo tem ao seu lado todo o aparelho de estado, inclusive o poder executivo, que ainda ha pouco era a cidadela institucional das forças progressistas, ainda que infiltrada de inúmeros quinta-colunas. Agora nem isso restou.

Então, o que fazer? Sem alongar em detalhes, a grande obra a ser construída é a edificação de uma Frente Ampla capaz de unificar as forças de esquerda e centro-esquerda, com objetivos de curto, médio e longo prazos, o que significa não apenas lutar contra o golpe, mas buscar a coesão em torno de um programa comum, capaz de manter a unidade para além da derrota do golpe, que seja capaz de governar cidades, estados e o país. Nesse Rumo, a Frente Brasil Popular é uma tentativa, assim como a Frente Brasil Sem Medo, mas que ainda estão distantes da superação das visões hegemônicas de cada uma das forças que as compõem.

Talvez o plebiscito pós-retorno de Dilma ao exercício efetivo da presidência, se visto não como uma bandeira, mas como uma plataforma, possa vir a ser o amalgama capaz de dar a liga necessária a um projeto de Frente Ampla que aglutine PT, PSOL, PCdoB, PDT, e outros partidos de esquerda e centro-esquerda, assim como movimentos sociais e sindicais, em especial CUT, CTB, MST, MTST, CONTAG, MPA, VIA CAMPESINA, COIAB, FIRN (estas duas últimas, indígenas) e demais organizações populares nacionais e regionais.











quarta-feira, 22 de junho de 2016

Só o plebiscito poderá por fim à crise política que aprisiona o Brasil.

A presidenta Dilma foi afastada, ainda que temporariamente, por um golpe de estado, cuja forma foi adaptada às condições atuais, mas que em seu conteúdo se identifica com o golpe “dos tanques nas ruas”, uma vez que rasga a Constituição e joga na sarjeta a vontade popular. E, o que é pior, caminha para se assemelhar também com a face mais sombria de uma quartelada, suprimindo liberdades democráticas, criminalizando movimentos sociais e alienando ao Estado a integridade física de seus opositores.

O governo interino de Temer não governa sob o manto da legalidade por ser fruto de um golpe de estado. Também não está sob o manto da legitimidade, uma vez que não é resultado da vontade popular. Pior ainda. Sua sustentação está assentada em um parlamento envolvido em atos de corrupção e outros crimes, como sobejamente apontam procuradores, promotores, inquéritos e processos judiciais.

Mesmo que Dilma venha a ser afastada definitivamente, é certo que o governo golpista e usurpador que a sucederá não terá condições políticas de governabilidade pelo menos até o início de 2019, quando emergirá, esperamos, o novo governo erguido pela força do voto popular.

Mas se Dilma for absolvida no senado e reassumir o comando do país, a legalidade terá sido recomposta, uma vez que poderá concluir seu mandato delegado pelas urnas em 2014.

Entretanto, barrar o golpe e reassumir o posto não lhe devolverá automaticamente a legitimidade e a governabilidade necessária para propor e conseguir a aprovação de medidas - fora do receituário neoliberal - capazes de superar a crise econômica que avassala o Brasil.

Terá contra si o mesmo Congresso que tentou golpeá-la e, nas ruas, o povo ainda desconfiado e inseguro quanto à sua capacidade política de conduzir a grande nave Brasil para um porto seguro.

Deverá ela, então, desde já, assumir o compromisso de que irá propor a realização de um plebiscito tão logo retorne ao exercício de seu mandato, para que o povo brasileiro decida sobre o destino do país. Se quer que ela continue à frente da nação até 2018 ou se prefere a antecipação das eleições presidenciais.

Qualquer que seja o resultado, o povo terá devolvido a legitimidade ao governo, independente de quem estiver á frente do mesmo, seja Dilma ou quem a suceder.

Seja qual for o caminho escolhido pelo voto direto dos brasileiros e brasileiras, Dilma será lembrada pela história como a presidenta que defendeu a democracia acima de seus interesses pessoais. 

Só assim a crise política poderá ser superada e a governabilidade reconquistada.

domingo, 19 de junho de 2016

Recursos ao STF não impedirão o afastamento definitivo de Dilma

A recente entrevista que o ministro Gilmar Mendes concedeu ao "O Cafezinho" expôs mais ainda as entranhas do golpe.

Mas o que  mais me chamou a atenção foi o recado que ele mandou, como se tivesse delegação dos demais ministros do STF.

O que para mim se depreende de parte da entrevista é que se Dilma for afastada definitivamente pelo Senado, recursos ao STF serão inócuos, mesmo que a Suprema Corte brasileira tenha convicção de que ela não tenha cometido crime de responsabilidade ou qualquer outro crime.

Se as respostas de Gilmar Mendes refletem ou não a opinião do STF ou da maioria de seus membros, só o tempo poderá nos dizer, mas alguns trechos das respostas do ministro nos conduzem de  forma clara para essa interpretação.

Concluam vocês mesmos ouvindo a entrevista completa, da qual destaco dois trechos que exprimem inequivocamente o que afirmo aqui.

Ao ser indagado quanto a possibilidade de os governadores que pedalaram sofrerem também processo de impeachment, chama a atenção a parte da resposta em que o ministro diz: "...em suma, como se vê, o processo é político, é preciso que, veja, se ela também tivesse cometido o crime, ficasse flagrantemente provado  que ela tivesse cometido o crime e ela tivesse obtido 172 votos, ela também não seria processada."

Com essa resposta, se ela traduz a opinião da maioria dos ministro do supremo, fica evidente que nossa mais alta corte de justiça faz como Pilatos, deixando Dilma à sorte de um parlamento dominado por suspeitos de corrupção e outros crimes. Faz parecer que o STF, pelo menos por omissão, se alinha à intentona golpista.

Essa e omissão se destaca mais ainda, quando Gilmar Mendes responde a pergunta "se nem o 'Papa, Deus ou o Diabo' salvam Dilma, de nada vale  a defesa?" Em um trecho da resposta ele diz: "...na quinta feira que antecedeu o  processo de impeachment, nós ficamos (os ministros do STF) 7 horas discutindo todos os questionamentos sobre esse tema e exaurimos. Então, a rigor, no que diz respeito ao processo na Câmara, nós não tínhamos mais nada o que fazer. Tanto é que houve depois várias impugnações e elas todas foram indeferidas".

Como se vê, só as ruas poderão impedir o golpe e preservar a democracia no Brasil.