quinta-feira, 15 de novembro de 2018
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
E o golpe caminha a passos largos
Ministro da defesa, Raul Jungmann diz que mandado
coletivo de busca e apreensão pode ser adotado no Rio de Janeiro, sob
intervenção federal.
Imaginem o que significa isso.
Ruas inteiras, ou até bairros inteiros podem ser
submetidos a essa excrecência autoritária, caso venha a ser autorizada pela
justiça.
Com essa autorização, a polícia e o exército (este,
operador da intervenção de #TemerDitador), com um mandado na mão para prender
alguém que more em determinado endereço em uma das favelas do RJ, poderá entrar
em todos as residências e imóveis de determinada rua o bairro, como se qualquer
um desses locais pudesse ser a moradia do procurado pela justiça.
Ou seja, milhares de famílias que nada devem à justiça
poderão ter seus lares violados pela truculência de um (des) governo usurpador,
decrépito, execrado pela quase unanimidade da população brasileira, que tenta
se legitimar pela via autoritária.
O ministro Jungmann, tentando naturalizar essa
aberração, afirmou que em outras ocasiões o mandado coletivo de busca e
apreensão já foi adotada. De fato já foi, recentemente.
Em novembro de 2016, depois que um helicóptero da
Polícia Militar caiu na Cidade de Deus,
a Juíza Angélica dos Santos Costa concedeu, liminarmente, autorização
para execução de mandado de busca e apreensão coletivo, alegando que "em
tempos excepcionais, medidas também excepcionais são exigidas com intuito de
restabelecer a ordem pública".
Mas o que o ministro do governo usurpador esqueceu de
dizer é que as operações de busca e apreensão "coletivas" realizadas
na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foram consideradas ilegais
pela 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do estado. E a decisão foi unânime.
O desembargador relator destacou que como não houve a
individualização das casas e dos moradores atingidos pela medida restritiva de
direitos fundamentais - como a inviolabilidade de domicílio e a intimidade -,
"...a pena é de inversão ao disposto no ordenamento jurídico vigente,
inclusive de normas internacionais de proteção à pessoa humana, e violação
frontal ao Estado Democrático de Direito.”
Como vemos, o golpe se aprofunda e a ditadura explícita
nos ronda cada vez mais de perto.
E, diferentemente do que disse Pedro Aleixo,
vice-presidente do ditador Costa e Silva, quando da imposição do famigerado
AI-5 em 1968, o problema de medidas de carater autoritário, como a do mandado
coletivo, não se restringe apenas aos "guardas da esquina".
O problema é matricial. Esse governo já nasce
autoritário, uma vez que se viabilizou pelo golpe de Estado que afastou a
presidenta Dilma.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
A coluna Praça Oito de 05/02/18 e a régua de Judith
O jornal “A Gazeta” é o principal jornal de meu estado, o
Espírito Santo, embora perca em vendas para “A Tribuna”, seu concorrente direto.
Estão para o Espírito Santo, como os jornalões “O Globo”, “O
Estado de São Paulo” e a “Folha de São Paulo” estão para o Brasil, ou seja, são,
ao fim e ao cabo, porta-vozes dos grandes grupos econômicos locais e nacionais,
e das forças políticas que os representam.
A mais tradicional coluna política de “A Gazeta” chama-se Praça
Oito, que já teve mais influência, mais glamour, já foi mais “fonte” das
novidades do mundo político, mas hoje, com os fatos e boatos circulando online,
já não desperta mais tanto interesse.
Mesmo assim é uma coluna respeitada e, de certa forma, ainda
tem um certo peso na formação da opinião dos leitores do jornal, o que deveria
contribuir para maior esmero com as opiniões ali emitidas, mas que,
infelizmente, não é o que acontece.
A edição de hoje (05/02) abre uma série de textos que irão tentar
convencer o leitor que Lula e Bolsonaro têm muito mais semelhanças do que
antagonismos. E começa por dizer que a principal semelhança entre os dois é que
ambos repudiam o papel da imprensa, “um dos mais importantes pilares de
qualquer nação que se pretende democrática”.
O colunista, indo na onda dos apelidos, inicia essa inacreditável
e absurda abordagem com o título “Bolsolula: opostos, mas nem tanto”.
Destaca o titular da coluna que o “desapego de Lula pelo
trabalho da imprensa e o ‘germe autoritário’ incubado em seu discurso político
serão abordados na sequência das colunas.”
Vamos aguardar para ler e comentar, é claro, mas, a depender
do que foi publicado hoje, pois pelo que já é afirmado na coluna Praça Oito de
hoje, afirmando semelhanças entre Lula e Bolsonaro, inclusive quanto ao suposto
viés autoritário de Lula, expresso, como diz a coluna, no seu repúdio ao
trabalho da imprensa.
São afirmações tão estapafúrdias, fruto de uma leitura
distorcida da realidade ou, pior, propositadamente construída com o intuito de
influenciar o leitor de que é isso mesmo.
Que Bolsonaro é adepto do autoritarismo, não é necessário
nenhum exercício analítico para se chegar a essa conclusão. Seu autoritarismo é
autodeclarado e vem embutido com tudo que há de pior na humanidade, como
homofobia, racismo, machismo, misoginia..., ou seja, fascismo na veia.
Também está muito claro que Bolsonaro não é o candidato dos sonhos
das oligarquias nacionais e seus porta-vozes tradicionais, eles mesmos membros
dessa oligarquia, como os grandes grupos de mídias com seus decadentes jornais
impressos.
Já sabemos o mais que virá nas próximas colunas, num árduo e
ingrato exercício de redação na tentativa de sustentar a tese de que Lula é
autoritário e, por isso, tem “desapego pelo trabalho da imprensa”.
Mas a que trabalho da imprensa o colunista se refere? A qual
imprensa o colunista se refere? Não pode ser outro senão aquele trabalho e
aquela imprensa refletida pelo que afirmou em 2010, no auge do segundo governo
Lula, Maria Judith Brito, então presidente da Associação Nacional de Jornais
(ANJ) e executiva do grupo Folha de S. Paulo. Disse ela: A liberdade de
imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o
contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e,
obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição
oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E
esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda
sobremaneira o governo.
Então, atentem bem, quando o colunista de Praça Oito fala
que Lula tem desapego pelo trabalho da imprensa, repudia o trabalho da imprensa,
o ex-presidente deixa transparecer esse sentimento, faz esse juízo de valor da
imprensa preconizada por de Maria Judith Brito.
Lula jamais repudiou ou repudia o jornalismo que busca a
verdade, a informação legítima, para depois reportar com a maior fidelidade
possível. Não há como fazer esse bom jornalismo se os grandes meios de
comunicação nacionais e regionais, como A Gazeta, se orientam pela régua de
Judith.
Mas vamos aguardar as próximas colunas de Praça Oito, para
ver o malabarismo analítico que o titular da coluna fará para dar sustentação
às supostas semelhanças entre Bolsonaro e Lula, e o enaltecimento do papel dos
grandes grupos de mídia nacionais em defesa da democracia. Ei, Getúlio, ei JK,
ei Jango... você leram isso?
segunda-feira, 15 de maio de 2017
A canalhice dos meios de comunicação a serviço do golpe não tem limites
A principal revista semanal do Brasil, homenageada com o epíteto “esgoto
sólido da maré baixa”, saiu este fim de semana com uma capa infame, trazendo a
foto de dona Marisa, mulher de Lula falecida recentemente, logo acima da manchete
em letras garrafais "A MORTE DUPLA".
Com essa manchete e sabe-se lá com que conteúdo fétido (me recuso a lê-la), esse lixo quer fazer seus incautos leitores acreditarem que Lula teria provocado a segunda morte de dona Marisa, quando "em seu depoimento ao juiz Moro, Lula atribui as decisões sobre o triplex no Guarujá à primeira-dama, falecida ha três meses."
Mais do que uma canalhice, mais do que uma infâmia, é uma maldade hedionda, própria de fascistas, que para alcançarem seus intentos, não respeitam qualquer limite de decência, de compaixão, de humanismo.
Marisa morreu em consequência de um aneurisma que havia sido
diagnosticado ha algum tempo e veio a se romper, causando sua morte. É muito
provável que o rompimento tenha sido provocado pelo permanente estado de tensão
e estresse que ela vivia, em razão da verdadeira caçada humana sofrida por seu
marido e que atingia direta e indiretamente toda sua família.
Mas nada disso importa para essa odiosa revista (?) a serviço de uma elite tacanha, arcaica, que jamais saiu da casa grande. Importa, sim, destruir Lula custe o que custar, independente dos métodos.
Diante de tantos exageros cometidos por aqueles que querem destruí-lo, de tanta obsessão por inviabiliza-lo eleitoralmente, não descarto até a possibilidade de que possa vir a ser eliminado fisicamente e recomendo cuidado com isso. Talvez seja essa uma das alternativas no rol dos caminhos escolhidos para impedir que o "jararaca" dispute as eleições presidenciais de 2018, a verdadeira bala de prata. Ainda que possa não existir um plano estruturado nesse sentido, sabemos que no meio de fascistas há sempre um bando de carniceiros sedentos por sangue, loucos para receber um "sinal" de seus chefes para a execução do serviço sujo.
Voltando à manchete infame, quem viu o depoimento de Lula - e eu tive o
cuidado de assisti-lo integralmente - sabe que em nenhum momento o
ex-presidente disse algo que tivesse a menor conotação com o que o detrito
sólido da maré baixa deseja inculcar em seus leitores. E para aqueles que não
assistiram o depoimento e não quiserem ter o trabalho de faze-lo, deixo aqui um
link, do Blog da Milly, que poupou o trabalho de vocês, estraindo ponto a
ponto, tempo a tempo, frase a frase, dos trechos em que o nome de dona Marisa
foi citado: https://blogdamilly.com/2017/05/14/a-falsa-narrativa-de-que-lula-culpou-dona-marisa/
Luiz Inácio disse a verdade, ou seja, que a cota para aquele
empreendimento do Guarujá foi adquirida por dona Marisa junto ao Bancoop em
2005, o que é a mais pura verdade, como comprovam a documentação existente. E
não se tratava da compra de uma unidade específica do prédio que estava sendo
construído pelo sistema cooperativista, mas de uma cota desse empreendimento,
que, ao final, poderia ser materializado na propriedade de um dos imóveis, ou
simplesmente ser usado como investimento. É quase como uma carta de crédito de
um consórcio.
Quanto ao triplex, especificamente, Lula confirmou que esteve uma vez olhando o imóvel, mas que não gostou do que viu e nunca mais voltou.
Perguntado se dona Marisa havia voltado ao local, ele disse que ela havia retornado mais uma vez, mas que ele só ficou sabendo 10 ou 15 dias depois e que eles não se interessaram em ficar com o imóvel. Não há, nestas respostas, nenhuma conotação que possa levar qualquer mente sã a entender o que essa revista (?) de terceira categoria afirma.
Está claro que tais veículos de comunicação, incluindo rádio e televisão
– estes com muito mais poder de contundência - entraram em um desespero tal,
após o antológico depoimento de Lula e a gigante caravana que foi a Curitiba em
seu apoio, que buscam freneticamente algo em que se pegar para tentar barrar o
tsunami chamado Lula, que vem chegando cada vez mais próximo à praia para
varrer os detritos fascistas que tentam aprisionar o Brasil depois de mais de
uma década de governos democráticos e populares. E como já disse lá em cima,
tudo farão para alcançar seu intento. Estamos sob os efeitos de um golpe de
estado, ainda que não em sua forma clássica. Dessa vez a democracia não foi
bombardeada por tanques, mas por armas tão letais quanto, vindas do arsenal do
conluio midiático/jurídico/parlamentar, a serviço da plutocracia nacional,
subserviente e beneficiária do imperialismo estadunidense.
A esse respeito vale ler ou reler a Carta Aberta escrita por Eugênio
Aragão, subprocurador da República e ex-ministro da Justiça de Dilma, destinada
Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, depois que este – ainda que não
citasse o nome de Aragão – lhe teceu duras críticas em discursos proferido no
ato de posse da ministra Carmen Lúcia, como presidenta do STF.
Essa Carta Aberta foi publicada com exclusividade pelo Blog de Marcelo
Auler, que a classifica com um documento histórico, com o que concordo. http://marceloauler.com.br/de-eugenio-aragao-a-rodrigo-janot-amigo-nao-trai-amigo-e-critico-sem-machucar-amigo-e-solidario/
Destaco um pequeno trecho da Carta Aberta, que nos traz luz para
entender o pano de fundo da tragédia que o golpe nos impõe, sua amplitude em
termos de apoio no aparelho de Estado, sua profundidade e o papel fundamental
da mídia tradicional na manutenção e consolidação do avanço fascista: “Compartilhei meus
receios sobre os desastrosos efeitos da Lava Jato sobre a economia do País e
sobre a destruição inevitável de setores estratégicos que detinham
insubstituível ativo tecnológico para o desenvolvimento do Brasil. Da última
vez que o abordei sobre esse assunto, em sua casa, o Senhor desqualificou
qualquer esforço para salvar a indústria da construção civil, sugerindo-me que
não deveria me meter nisso, porque a Lava Jato era ‘muito maior’ do que nós.”
Mais, não preciso dizer.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Colunista da Globbels faz malabarismo ao analisar depoimento de Lula
Na coluna de hoje, tentando diminuir o efeito da surra
que a lava jato tomou de Lula e do ridículo a que se expôs, com um
interrogatório extraído de ilações da mídia corporativa e do espantosamente
circense power point do Dallagnol, a colunista afirma que "sua (a de Lula)
popularidade é grande, mas menor do que já foi..."
A coluna inteira é um monte de bobagens sem fundamentos, e
serve apenas como correia de transmissão do pensamento (ou desejo) de seus
patrões. Mas essa afirmativa sobre a popularidade de Lula é tão "solta no
ar", sem maiores preocupações contextuais, que a reprovaria em qualquer
teste sobre ciência política e torna menor ainda sua importância (já tão
comprometida) para o jornalismo brasileiro.
Se formos aos números das recentes pesquisas que apontam
a tendência de voto do eleitorado brasileiro nas próximas eleições
presidenciais (se houver eleições, se não formos surpreendidos com um golpe
dentro do golpe), veremos que a intenção de voto no pré-candidato Lula gira em
torno de 40%.
Ora, é um número fantástico, se formos considerar a
intensa campanha negativa contra o ex-presidente, perpetrada pelos principais
veículos de comunicação (?) brasileiros, capitaneados pela rede Gloebbels.
Apesar dessa tentativa infame, diuturna, de destruir a imagem de Lula, a
intenção de votos no "jararaca" cresce a cada dia e a cada golpe
desferido contra ele.
Mirian, avise a seus patrões (para não ser cobrada
depois), que 40% de intenção de votos em tais circunstâncias é muito mais
representativa, significa mais do que a aprovação que Luiz Inacio tinha quando
findou seu segundo mandato e surfava a onda do exuberante crescimento
brasileiro. Após o depoimento de ontem, então... É só aguardar as próximas
pesquisas.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Marisa Letícia, uma brasileira
Chegar e partir é inerente a todos nós, a todo ser vivo.
Pena Marisa partir ainda tão cheia de vida, e em meio a um
momento em que enfrentava com fibra, com coragem ataques infames, fascistas
contra Lula, seu grande companheiro de vida e de luta, mas que a atingia
também, e a seus filhos, o que lhe causava imensa dor e que, talvez, tenha
apressado sua partida, tenha pressionado demais o aneurisma cerebral que a
acompanhava há alguns anos.
Marisa se foi em matéria, mas ficará como uma das grandes
brasileiras, daquelas que ousaram e ousam lutar por um Brasil melhor, por um
mundo melhor. Uma guerreira que lutou – a seu modo e com sua sabedoria inata –
a luta de todos os brasileiros e brasileiras
excluídos do usufruto das riquezas que produzem, das riquezas
naturalmente oferecidas pela rica geografia e geologia do Brasil.
Diferentemente de seus insanos detratores, Marisa já é
enaltecida pela história e viverá para sempre em nossos corações.
Dedico, um tanto encabulado pela inabilidade poética, esse simplório
acróstico a Marisa Letícia, prestando minha pública solidariedade a Lula, sua família
e amigos.
Marisa Leticia
Marisa, uma brisa suave e
constante que soprou por 66 anos
Amiga e amor inseparável
do maior presidente do Brasil
Reinou como mulher, cidadã,
mãe, guerreira, revolucionária...
Inseparável companheira da
maior estrela do PT
Serena e discreta senhora
do palácio, guardiã da humildade
Amou o marido, amou os filhos,
amou os brasileiros e brasileiras
Legou honestidade, alegria,
solidariedade, amor, amor e amor
Elevou a condição de
primeira dama à humanidade de Marisa Letícia
Transitou por palácios com
os passos do povo brasileiro
Inaugurou, junto com Lula,
a era da esperança e da bonança
Compartilhou de sonhos
coletivos, por justiça e igualdade
Indignou-se com o ódio
fascista de humanos desumanizados
Acima de tudo, porem, amou
a vida, amou os seus, amou o Brasil
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Em busca da centelha
Nestes tempos bicudos é recorrente ouvir comentários, curtos
ou longos, de como o povo é ignorante, alienado, indulgente, entre outros
adjetivos para descrever o comportamento da patuleia frente ao verdadeiro
assalto continuado aos direitos conquistados e às riquezas nacionais, praticado
pela quadrilha de golpistas que usurpou um governo legitimamente eleito,
solapando de roldão a democracia da Constituição e da convivência social.
É compreensível o desespero de muitas e muitos de nós diante
da cavalgada impassível desses cavaleiros do apocalipse a destruir conquistas
civilizacionais e patrimônios nacionais.
Mas concordando que somos mais ignorantes e menos bem informados
que a patuleia de outros países, não vejo que seja essa a explicação de nossa
passividade diante da quadrilha que invadiu nossos quintais e ameaça entrar em
nossas casas.
Já vimos e veremos fascistas e flertadores do fascismo
conquistarem a hegemonia política em países onde os eleitores são muito mais
letrados e menos midiotizados do que nós.
Há algo mais ligado ao campo do imaginário coletivo, da
psicologia coletiva - sei lá - a nos congelar, a impedir que esbocemos reação
diante dessa tragédia e de absurdos que se sucedem a cada dia, envolvendo o
núcleo do governo federal, do poder judiciário e do Ministério Público,
dominado por golpistas.
Em 2013 São Paulo viveu forte reação de setores da população
que reagiram ao aumento de 20 centavos no preço da passagem, e por razões ainda
não muito bem compreendidas, aquilo se alastrou pelo pais afora, se tornando um
dos maiores movimentos de massa da história do Brasil, que durou por vários
dias.
Já não era mais pelos 20 centavos, mas também não passou a
ser por bandeiras específicas. Foi uma imensa explosão de energia, de
indignação coletiva "contra tudo isso que está aí", mas que não
encontrou um eixo que pudesse organizar e direcionar a força daquela explosão,
que acabou se dissipando. É bem verdade que no meio daquelas multidões que
enchiam as grandes praças e avenidas do país estava o ovo da serpente das
manifestações contra Dilma ao longo de 2015 e 2016. Mas essa é uma outra
história.
O fato é que nós só conseguiremos sair do torpor que nos
aprisiona a contemplar essa quadrilha a saquear nosso futuro, se formos capazes
de encontrar a centelha que poderá desencadear uma reação coletiva e reintegrar
ao povo a posse de seu governo.
Para isso é preciso que continuemos a lutar com
determinação, mas tendo em conta que poderá ser uma luta prolongada, que a
vitória poderá demorar anos e que na trajetória dessa luta ainda poderemos
perder muito mais do que já perdemos.
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